Vamos estimar a probabilidade de diabetes em 3.000 pacientes fictícios a partir de IMC, idade, pressão alta e atividade física. Os dados imitam o conjunto CDC Diabetes Health Indicators do notebook da disciplina. O modelo soma os preditores com pesos e passa essa soma por uma curva em S:
Para ver o ajuste acontecer, começamos com 160 pacientes e uma só variável, o IMC padronizado (z = (IMC − média) / desvio-padrão). Cada par (β₀, β₁) desenha uma curva diferente. O ajuste procura o par com a menor log-loss, a perda que pune mais quem recebe probabilidade baixa para o que de fato aconteceu.
Passe o cursor sobre um paciente para ver a perda dele. Os traços ligam cada paciente à curva: quanto mais longos, maior o erro.
Cada ponto do mapa é um par (β₀, β₁); quanto mais escuro, menor a perda. Clique ou arraste para testar um par. A seta mostra o sentido do próximo passo.
Agora o modelo completo, ajustado com 1.800 pacientes de treino e as quatro variáveis em unidades originais. Cada coeficiente soma β ao log-odds por unidade de x, o que multiplica as chances (odds = p / (1 − p)) por eβ. Para uma mudança de Δ unidades, a odds ratio é OR = eβ·Δ.
Escala logarítmica: OR = 2 fica tão longe de 1 quanto OR = 0,5. A linha tracejada é OR = 1, sem diferença nas chances. Cada OR vale mantendo as outras variáveis constantes e descreve associação no modelo, não efeito causal.
Parta de um perfil de referência (IMC 25, 45 anos, sem pressão alta, fisicamente ativo) e mude o paciente. Cada linha mostra quanto a variável desloca o log-odds e por quanto multiplica as chances.
O círculo vazio é a referência; o cheio, o paciente. A curva é íngreme no meio e achatada nas pontas, por isso o mesmo aumento no log-odds muda muito ou pouco a probabilidade, conforme o ponto de partida.
O modelo entrega probabilidades. Para dizer "sinalizar" ou "não sinalizar", escolhemos um limiar: acima dele, o paciente é classificado como positivo. O predict do scikit-learn usa 0,5, mas nada obriga a isso. Mudar o limiar não muda os coeficientes nem a AUC; muda quem é sinalizado. Os 1.200 pacientes abaixo são de teste, não participaram do ajuste.
A curva ROC reúne todos os limiares possíveis; o ponto marca o atual. A área sob ela (AUC) mede como o modelo ordena os pacientes, independentemente do limiar.
Um modelo calibrado acerta a frequência: entre os pacientes que recebem cerca de 20%, cerca de 20% têm diabetes. Separamos os pacientes de teste em dez grupos de risco e comparamos a média prevista com a taxa observada. Distorça as probabilidades e veja que a AUC não muda, pois a ordem dos pacientes é a mesma, mas os números deixam de valer o que dizem.
Pontos na diagonal = calibrado. Acima dela, o modelo subestima o risco; abaixo, superestima. As barras verticais são IC95% da taxa observada; a faixa inferior mostra onde caem as previsões.